Seg - Sex 9:00 às 18:00

(31) 2528-2588

atens-sn@atens-sn.org.br

(31) 9701-5392

Ipea divulga estudo sobre redução da jornada de trabalho e impactos no Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou a Nota Técnica nº 123, que analisa os impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil, trazendo dados concretos para qualificar um debate que vem ganhando força no país.

O documento, intitulado “Mudanças na jornada e na escala de trabalho: elementos empíricos para o debate”, apresenta evidências sobre os efeitos econômicos e sociais da redução da jornada, especialmente no contexto das propostas que discutem a diminuição para 40 ou 36 horas semanais e o fim da escala 6×1.

A análise parte de dados da RAIS (2023) e mostra que a jornada de 44 horas ainda é predominante no Brasil, atingindo cerca de 74% dos trabalhadores formais.

Impactos econômicos: menos alarmismo, mais dados

Um dos principais pontos do estudo é que a redução da jornada não implica automaticamente em crise econômica ou aumento do desemprego.

Segundo a nota técnica, a redução de 44 para:

  • 40 horas pode gerar aumento médio de custo de cerca de 7,8%

  • 36 horas pode chegar a cerca de 17,5%

Apesar disso, o próprio estudo aponta que a economia brasileira já absorveu impactos semelhantes — como aumentos do salário mínimo — sem efeitos negativos relevantes sobre emprego ou produção.

Além disso, há evidências de que empresas podem reagir de diferentes formas:

  • aumento de produtividade

  • reorganização do trabalho

  • contratação de mais trabalhadores

Ou seja, não existe um efeito único e automático.

Quem mais seria impactado?

A nota mostra que:

  • trabalhadores com jornadas mais longas são, em geral, os mais mal remunerados

  • cerca de 80% dos que trabalham mais de 40h ganham até 2 salários mínimos

Além disso, esses trabalhadores também apresentam maior rotatividade e piores condições de trabalho.

Qualidade de vida entra no debate

O estudo também reforça algo que o movimento sindical já aponta há décadas: reduzir a jornada impacta diretamente a vida das pessoas.

Pesquisas citadas indicam:

  • melhora no sono

  • redução do estresse

  • aumento da qualidade de vida

Um debate que volta ao centro

A discussão sobre jornada voltou ao centro do debate nacional com propostas como a redução para 36 horas e o fim da escala 6×1.

A nota técnica reforça que ainda há lacunas de dados, mas aponta que o Brasil possui condições de avançar nesse debate com base em evidências — e não apenas em argumentos econômicos alarmistas.

O documento completo está disponível abaixo para leitura.

MUDANÇAS NA JORNADA E NA ESCALA DE TRABALHO: ELEMENTOS EMPÍRICOS PARA O DEBATE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *